UMA BOLA DE CRISTAL, POR FAVOR?




-bola de cristal

por Tatiana Rybalowski

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Quem tem uma bola de cristal para me emprestar?

Falar de futuro, em qualquer área é muito difícil. Nenhum filme da minha infância mostrou qualquer coisa parecida com o celular, traquitana que domina todo o cenário do século XXI e cuja importância na vida diária parece não ter limites.

Nas previsões do passado viam-se carros voadores, ruas com esteiras rolantes, empregados/robôs, roupas prateadas que pareciam de plástico, mas “telefones” (o que menos se faz com o celular é falar…) com GPS, câmeras, vídeos, filmes e possibilidades infinitas conseguidas através de aplicativos, isso nem da cabeça de Asimov saiu.

Então o que falar do futuro da Moda, este fenômeno que retrata a sociedade em seus modos e costumes? Como seria a sua expressão mais tangível, o vestuário?

De uns tempos para cá, a aceleração de todos meios e sistemas aumentou em muito e na Moda surgiu um modelo de negócio que bem expressa esta aceleração, o fast fashion. Indo a favor da maré da contemporaneidade, o fast fashion oferece produtos em velocidade cada vez maior. É uma forma que os empresários acharam de entregar os desejos e necessidades das pessoas de forma cada vez mais rápida e com preços baixos.

Este modelo, no entanto, tem um outro custo, muito alto, que é o do consumo exagerado, para não dizer desnecessário. De 2000 a 2010, a partir das facilidades criadas, o consumo de vestuário aumentou em 47%. Para qualquer pessoa que queira refletir um pouco, é possível perceber que isto tem um impacto enorme sobre o meio ambiente. Um aumento colossal no consumo de matérias primas, de combustíveis, no despejo de efluentes e no descarte. Em números da Grã Bretanha, por exemplo, aproximadamente 15 bilhões de quilos de vestuário são utilizados uma única vez. Num único ano. Depois, descartados…

Numa geração que aprendeu a entender o mundo desta forma, é difícil perceber que é possível se viver de outra. No passado, a relação do homem com seu vestuário era diferente. O consumo era moderado (sim, as roupas eram mais caras!) e as roupas, portanto, valorizadas. Desta forma, cuidava-se mais de suas roupas, que eram lavadas com atenção e, quando necessário, consertadas (alguém com menos de 20 anos sabe o que é uma cerzideira?).

Seria como uma redefinição em relação ao uso do vestuário, percebendo-se que você economiza quando compra coisas que duram. Buy less, buy better.

Algumas destas práticas bem que poderiam ser resgatadas para o bem comum, isto é, da humanidade. Digo humanidade, pois a despeito de todas bobagens que façamos por aqui, o planeta sobreviverá, já nós…

Existem várias iniciativas que apontam para caminhos alternativos ao modelo atualmente adotado que dependem tanto dos empresários como dos consumidores. Da parte dos empresários, meios que viabilizem produtos que tenham menores impactos sociais e ambientais. Aos consumidores caberiam mudanças radicais na abordagem em relação ao consumo e na forma de se relacionar com o vestuário.

Claro que falamos de uma mudança radical nos paradigmas atuais de uma sociedade baseada no consumo. Mas este modelo deve ser revisto a tempo, pois ele tem limites claros, que estão evidentes para quem quer ver.

Difícil mesmo é mudar hábitos, ainda mais quando os apelos são tão fortes e quase lobotomizantes.

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  Tatiana Messer Rybalowski
Designer de moda, arquiteta e professora de Design na PUC-Riohttp://modafashionmode.blogspot.com
www.facebook.com/OAZÔ




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