UM RITMO MAIS NATURAL.




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A Moda nos trouxe o entendimento de que o novo é sempre melhor, o antigo já passou, foi. Ao longo do tempo, ainda ganhou o atributo da velocidade, que passou a ser cada vez mais relevante. A rapidez na produção e consumo fez com que a compra de uma roupa nova se tornasse um ato cada vez mais banal.

Esta banalização, revelada através do uso e descarte cada vez mais rápido, pode ser entendida através de um estudo (infelizmente não muito recente) da Universidade de Cambridge que relata que em 2006, se comprou um terço a mais de roupas que em 2002. As mulheres têm quatro vezes mais roupas em seu guarda roupa do que tinham em 1980. E a velocidade do descarte é proporcional.

Nestes tempos em que as informações são praticamente instantâneas, as tendências – que antes duravam meses – agora têm vida breve. Com o avanço da tecnologia, as distâncias diminuíram e a noção do tempo se modificou. Tudo é prá já, para o mesmo instante. A cobertura instantânea de semanas de moda e o streetstyle fazem com que tudo aconteça ao mesmo tempo e se esgote cada vez mais rápido.

Esta banalização, no entanto, não vem de graça, tem um preço. Com tantas novidades sendo oferecidas a todo tempo, o efeito é quase anestésico. Tudo parece igual (parece ou é?), e o excesso beira o absurdo: reportagens revelam que há muitas consumidoras que compram tanto que têm em seus armários várias roupas sem uso ainda com etiquetas e muitas delas repetidas.

E ainda há outras etiquetas de preço – ocultas – que acabam sendo pagas pelo meio ambiente e pela cadeia de abastecimento.

Este modelo de negócio, este consumo desenfreado só é possível porque as roupas são baratas, porque a atenção às condições de trabalho e às normas ambientais não é a mais adequada. O aumento de marcas que investem neste modelo de produção rápida e contínua que troca suas coleções a cada semana ou até diariamente e traz as últimas tendências em tempos recordes e com preços acessíveis parece uma receita de um caminho sem volta. O sucesso dessas marcas se baseia, a bem da verdade, em um circuito curto de produção e numa rede de distribuição muito bem controlada. E o sucesso, é claro, traz lucros.

Contudo existem outros meios de se enxergar e entender o tempo e a velocidade, não somente sob o ponto de vista econômico, mas sob o ponto de vista da velocidade da natureza e do ritmo das mudanças culturais, enfim, do próprio homem.

O termo Slow Fashion foi cunhado em 2007, em referência ao movimento Slow Food, que surgiu na Itália como uma resistência à abertura de uma loja de uma cadeia de fast food num local tradicional de Roma. O slow não tem a ver com ser devagar, apenas com respeitar ritmos e velocidades mais naturais.

O Slow Fashion pretende ser um movimento de práticas sustentáveis e éticas relacionadas à produção e consumo de Moda e reconhece que as decisões tomadas neste setor podem afetar o meio ambiente e as pessoas. Busca trabalhar com materiais, fornecedores e fabricantes

locais a fim de fortalecer a cadeia local, entendendo que essas decisões ajudam a diminuir o desperdício de material, a poluição, o uso de energia e as emissões de carbono.

Como pretende criar produtos duráveis e não datados, não segue tendências. Os preços podem ser mais altos, já que as escalas de produção são menores, os materiais são mais duráveis e existe um compromisso com o comércio justo. O lançamento das coleções respeita um ritmo mais natural, do homem e de sua criatividade.

Afinal de contas, Azedine Alaïa uma vez disse: “When you have one idea per year, it’s already a miracle!”

 

 

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Tatiana Messer Rybalowski

Designer de moda, arquiteta e professora de Design na PUC-Rio http://modafashionmode.blogspot.com

Proprietária da marca Slow Fashion OAZÔ: https://www.facebook.com/pages/OAZ%C3%94/364134283690483?ref=hl

 

 

 

 




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