QUERO ESTUDAR ARQUITETURA!




por Claudia Marandino

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Semanalmente recebemos mensagens de jovens que desejam estudar arquitetura, mas que gostariam de obter maiores informações sobre o exercício da profissão e a faculdade em si.
Assistindo então a novela das nove anteontem, ( porque sim, eu assisto novela, às vezes…quase sempre  😉 ) vi o malvado Félix jogar o tablet do pobre filho sonhador-que-deseja-ser-arquiteto na piscina, de tanto ódio pela escolha do rebento.
Vendo tão dramática cena, me senti  motivada a escrever uma resposta geral sobre o assunto.
Pois bem, sempre que me enviam a pergunta já vão dizendo logo que pesquisaram e que o mercado é difícil, com baixos salários, que o pai engenheiro diz que é melhor fazer engenharia, etcetcetcetcetc.
Só posso concordar. É isso mesmo. Tudo verdade.
Respondo sempre que a faculdade é uma delícia!
Já na hora de ir trabalhar de verdade…nem tanto.

Como já escrevi outras vezes, sou uma arquiteta super “pé no chão” e nunca tive a pretensão de ser uma “Niemeyer”.
Só se me casasse com alguém da família para roubar o nome… e não sou uma caça-dotes, ora essa!

Acho que a arquitetura tem dentro de si uma grande dificuldade, que é ser uma carreira de interseção.
Explicando-me:
– exige conhecimentos ligados a matemática, ciências exatas, visão espacial e raciocínio lógico bem desenvolvido
– exige conhecimentos de ciências humanas: como é o funcionamento das atividades que se desenrolam dentro do ambiente a ser projetado e como as interações e circulações, entre e de pessoas, acontece.
– exige criatividade, pensamento artístico, liberdade.

Ou seja, tem que ser um pouco esquizofrênico, certo?

As pessoas buscam a Faculdade de Arquitetura pelo lado criativo e saem para o mercado de trabalho sendo cobradas pela parte exata, o que acaba sendo sofrido para muitos.
E que, acho eu, acaba gerando insatisfação, trabalhos mal feitos ou inacabados.
Além disso, durante anos pertencemos a um conselho profissional chamado CREA, onde o “A” poderia ser de agronomia, arquitetura ou apatia.
Estávamos lá na rabeira, dentro de um aglomerado sem representatividade. Com isso, ao longo dos anos, as atribuições específicas dos arquitetos foram invadidas por diversas outras profissões de nível técnico. E ficamos nós lá, bobinhos e inocentes como o pobre filho do Félix, olhando as obras de grandes arquitetos, sonhando com um futuro do pretérito. E o tempo passou.

No mundo todo, novas técnicas construtivas se desenvolveram, especializações se tornaram necessárias, mas aqui no Brasil, durante muitos anos, a única pós-graduação oferecida, pelo menos na UFRJ, era Urbanismo.
Posso até estar exagerando, blasfemando mesmo, e me corrijam professores, mas acho que era mais ou menos isso.
Com a expansão da indústria do petróleo, principalmente no Rio de Janeiro, a demanda por profissionais da construção voltou a crescer, e essa característica de conhecimento mais generalista do arquiteto, se associada a formação em gerenciamento de projetos, abriu novas possibilidades e frentes de trabalho. Além de áreas como sustentabilidade, eficiência energética e transportes.
Mas aí, olha só, de novo o lado mais “exato” e “técnico” é que está encontrando espaço.

Pois bem, como todos, não tenho uma resposta pronta.
Acho que hoje, diploma embaixo do braço somente, não é mais sinônimo de emprego garantido. O tempo de formação, para qualquer curso, aumentou muitíssimo e nada está fácil para ninguém.
Então, o que posso dizer é: se você quer fazer arquitetura, faça!
Mas sem se iludir com ídolos ou revistas. Todo o mundo tem que trabalhar muito, se dedicar e empenhar muito para conseguir destaque, sendo médico, engenheiro, psicólogo ou arquiteto. E pode-se ter sucesso pessoal, sem necessariamente ser uma estrela na área. Pode-se ser um ótimo profissional, com um bom rendimento e uma vida bacana.
Porque ninguém chega ao topo por nada.
Às vezes reclamamos que um jogador de futebol ou alguém que compõe uma música tem sucesso imediato e reconhecimento financeiro aparentemente fácil..
Esquecemos de perceber que essas pessoas, independente do fato de gostarmos delas ou não, têm uma característica importantíssima: são únicas.

Bjsbjs e sucesso, meninada!
Claudia Marandino

 

 

 

 

 




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