PRECONCEITO DE IDADE




por Claudia Marandino

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REVENDO ESSE TEXTO, DE 2015, VEJO QUE CONTINUA VALENDO

 

Desde que comecei o blog, em 2012, brinco com minhas filhas que sofro com o preconceito de idade.
Parece estranho, né, mas com o aumento do nosso tempo de vida, isso é um fato real.

Primeiro foi: “por que você vai fazer um blog, como você vai saber fazer, como você vai escrever? E quem vai ler?”
E a resposta sempre foi : porque não?
Ao conversar com alguém via e-mail ou telefone sobre o blog, sempre percebia que as pessoas imaginavam uma mulher de 20 a 30 anos e quando me encontravam, havia uma certa surpresa. (Embora conste no site foto e currículo…)
As discussões para resolver alguns problemas técnicos acima do meu conhecimento com pessoas da área de TI sempre se iniciam com a seguinte pergunta deles: – “mas a senhora digitou a senha corretamente?”
Não querido, eu montei todo um site sozinha, alimento diariamente há 3 anos (agora há6 anos), pesquiso, modifico, atualizo, mas não sei diferenciar maiúsculas de minúsculas da senha que eu mesma criei.
Isso é irritante!!!
Essa semana, li pela primeira vez alguns textos publicados sobre o assunto, escritos por pessoas mais jovens.
Uma jornalista falava de sua avó, de 90 e poucos anos, absolutamente lúcida e ativa, que era monitorada pela família como uma incapaz.
O outro foi sobre o tombo da Madonna no palco, criticando os comentários do tipo ”ela caiu porque esta velha”, como um veredito.

Mas, “peraí”?
Modelos caem na passarela, atrizes caem na entrega do Oscar e ninguém diz que é porque são incapazes.
Por que a Madonna, uma mulher que empurrou barreiras e falou de assuntos tabu a vida inteira, agora não pode mais.
E por quê? Por que está velha?

Não vejo ninguém reclamar do rebolado do Mick Jagger, da bandana do Keith Richards,  das novas composições e do cabelo pintado do Paul McCartney.
Simplesmente porque não interessa, não é mesmo?
Os comentários, além de preconceituosos quanto à idade são sexistas e ridículos.
E repetidos exaustivamente por muita gente.

Nesse nosso mundo, ainda é tão fácil construir muros e derrubar pontes!
Mais esperto é quem liga menos, cool é quem não se importa, bacana é quem critica aleatoriamente sem fazer nada de útil.
Tem uma máxima do Rommer Simpson, que anotei e às vezes cito que fala o seguinte:
“Não há nada melhor para se sentir bem do que fazer o outro se sentir mal”.
Pois é.
Qualquer preconceito deve buscar ser vencido.
Não que não os tenhamos. Eu luto ainda com várias coisas implantadas no meu sistema e que saem de mim sem nem perceber.
Pluft! Quando vi a besteira já saiu! Mas reconheço essa  faceta em mim.
E o preconceito com relação a idade é provavelmente o mais ridículo de todos, pois é uma certeza absoluta. A não ser que a morte venha precocemente, o que não desejo a ninguém.
Em nossa ignorância, podemos pensar que nunca vamos nos tornar negros, gays, mulheres, ou diferentes de alguma forma, mas vamos envelhecer e, surpresa, continuar VIVOS!!!
Vida longa e próspera!

PS: E um grande beijo ao meu amigo Raymond Gerteiny, que faz aniversário hoje. (na data em que fui publicado originalmente, mas não quero retira a homenagem)
Um homem charmoso e inteligentíssimo que, aos 80 e poucos anos, sendo professor universitário, foi fazer uma pós-graduação do que ele já sabia de cor e salteado para ter o diploma exigido. Foi um prazer enorme ser parte de um grupo que unia o mais novo e o mais velho da turma, mulheres fortes e homens doces.
E viva a diferença!

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Porque eu posso brincar do que eu quiser e ninguém tem nada a ver com isso!

 TEXTOS CITADOS

http://www.brasilpost.com.br/barbara-semerene/a-idade-certa_b_6756604.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

O da Madonna não estou achando, assim que encontrar coloco aqui

Claudia Marandino sou eu. Arquiteta, editora-chefe desse site e culpada de tudo.

 




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