POR QUE NOSSO CÉREBRO AMA CURVAS?




bilbao

Guggenheim Museum em Bilbao

Quando o grande arquiteto Philip Johnson visitou pela primeira vez o Guggenheim Museum em Bilbao, projetado por Frank Gehry, ele começou a chorar. “Arquitetura não é sobre palavras. É sobre lágrimas” Johnson teria dito na época. Alguma coisa nas majestosas curvas da obra arquitetônica o emocionaram a ponto de despertar suas lágrimas. Muitas outras pessoas sentem sentimentos similares, tanto que a obra esta entre as mais importantes do nosso tempo.

Se Johnson ou Ghery se deram conta ou não, o Bilbao tem uma sinuosa fachada que afeta emoções humanas primitivas.
Recentemente, o psicólogo Oshin Vartanian, que trabalha junto à Universidade de Toronto, conduziu uma séria pesquisa sobre a influência das formas curvas e lineares no cérebro humano. Sua técnica era muito simples. Ele submetia voluntários à tomografia enquanto mostrava-lhes 200 imagens pré-selecionadas. A tarefa dos voluntários era meramente dizer “bonito” ou “feio”.

As imagens captadas na tomografia são o grande embasamento desta tese. Vartanian notou que quando os voluntários miravam formas curvas e ponderavam sobre elas aparecia intensa atividade na área do cérebro chamada córtex cingulado anterior, o que não acontecia quando imagens que revelavam peças retas eram mostradas. Tal fatia é responsável por diversas funções cognitivas, mas a principal delas é o envolvimento emocional. Assim, a reação de Johnson passa a fazer total sentido.

O que Vartanian descobriu é que a afeição humana pelas curvas pouco tem a ver com gosto pessoal.
Trata-se de um traço neurológico.
Tanto homens, quanto mulheres tem a tendência de escolher o relógio de mostrador oval ao modelo retilíneo; de gostar de tipografias arredondadas; de escolher a marca de fio dental cuja embalagem apresenta formas circulares. Os participantes demonstraram considerar mais agradável uma sala com mobiliário mais curvilíneo, como sofás arredondados, estampas florais e padrões em looping do que cheia de linhas retas.
Parece que Steve Jobs estava certo em apostar as suas fichas no design. Mais do que agradar ele atinge o usuário num nível emocional.

Resumidamente, a conclusão é de que preferimos as curvas porque elas nos parecem menos ameaçadoras e tocam as nossas emoções.

A verdade é que não se pode afirmar peremptoriamente que somente as curvas agradam.
Elementos retilíneos trazem equilíbrio, nada é exato. Mas é mais um dado interessante na hora de pensar as formas de um projeto e entender como ele poderá afetar as pessoas.

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Curvas

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Retas

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