PALAVRAS




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por Claudia Marandino
Gosto de palavras e suas combinações.
Mas cada vez mais percebo que cada um de nós fala um dialeto próprio.
As palavras que ouvimos na infância, ao longo de nossa vida, com seus significados próprios passam a ter um peso e sentido bem diferentes daquele que o outro falou.
Ontem, brincando, falei com uma pessoa: “Você é muito palhaço!”. Ele levou a mal.
Eu estava querendo dizer que ele era divertido, que levava as coisas na brincadeira, de uma forma leve. Ele entendeu de forma ofensiva, como se não fosse para ser levado a sério.
Tive que explicar que estava falando num sentido carinhoso…
E ainda mais agora, em tempos de comunicação escrita e quase taquigráfica, fica mais difícil ainda transmitir o significado real daquilo que você quer dizer.
Acho, por exemplo, divertido uma palavra de significado ótimo.
É algo que dá o prazer de uma brincadeira, um prazer fácil e sem complicações existenciais. Para mim, isso é tão maravilhoso e difícil de se conseguir… É muito bom!
Mas vai que você diz para uma pessoa que dar um beijo nela foi divertido? Olha o nó.
Uma delícia, para mim, quer dizer mais do que bonito. Por quê?
Bonito agrada aos olhos, mas o que é uma delícia agrada a vários sentidos: ao tato, ao paladar, ao olhar, à audição. É tudo!
E quando adoro, quer dizer que achei uma delícia, entendeu?
Sarcasmo, por exemplo. Não a palavra, mas o ato em si, o jogo com as palavras.
Tem gente que detesta. Acho uma brincadeira inteligente. É como você jogar uma bola para a outra pessoa e ela te devolver e continuar o jogo. Manter a bola no alto e em jogo, se divertindo consigo mesma e com o outro. Mas e se o outro pega a bola, para o jogo e diz que não gostou de brincar assim. Se ele não souber o que fazer com a bola e ficar olhando para os lados, com ar de interrogação? Como a gente faz?
A culpa não é de ninguém, mas a comunicação se perdeu.
Agora, tem outras coisas que não tolero! Odeio veja bem!
Sou só eu ou dá a impressão que estão te chamando de burra e vão ter que explicar tudo de novo com palavras mais fáceis? Com desenhos ilustrando?
A comunicação entre as pessoas é das coisas mais difíceis de se concretizar, realmente.
Se você fala a sua verdade, será que o outro quer escutar?
E você, quer mesmo ouvir a verdade do outro.
E qual é a verdade? Não existe uma verdade última e final. Enfim…
Aliás, enfim, também é uma palavra que adoro. O enfim não concorda nem discorda, muito pelo contrário. Ele não é um final, é um “em fim”, ou seja, um fim continuando, que pode retornar ou terminar mesmo, quem sabe? Um fim em aberto, como nos filmes de arte.
Ele ocupa aquele espaço, quando não há mais nada a dizer, ou que você se perdeu no assunto, ou não quer mais falar sobre isso.
Enfim…
Bjsbjs, Claudia




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