O TRONCO

por Claudia Marandino

mulher de branco

“Tá na hora de descer do tronco”
Esse foi o recado que a filha de santo me mandou. E é o que vou fazer.
Já fiz.
Chega de ser castigada por nada, ouvir besteiras ditas por pessoas inúteis na minha vida e aceitar como verdades.

Chega de chibatada, minha filha.
Hora de sair, descer do tronco e voltar pra casa.
Entrar de novo na casa branca e grande e ser recebida com pipoca e doces.
Porque a filha pródiga retornou e novas vestes estão sendo trazidas.
A casa já foi caiada, as lamparinas acesas e a mesa posta.
Nada mais vai te impedir de receber o seu legado.
O tempo cármico acabou.

Me banho, me visto de branco, coloco as flores no vaso.
Me dou pés leves e mãos limpas.
Coração ainda cheio, porque isso nunca se perde mesmo.
Não adianta tentar.
Nunca mais vai ser o mesmo, nem em outra vida.
Mas a força… Ah, essa esta quadruplicada aos centos mil quânticos.
Medidas intangíveis de poder. De poder simplesmente não ser.
Por que sabe, é bem mais difícil deixar de ser.
E descer do tronco.

Claudia Marandino

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