NÃO OBEDEÇA




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Está em cartaz até 21 de dezembro na Caixa Cultural do Rio a exposição “Do Estúdio para a Rua”, de Ron English.
Segundo o curador Rafael Ferraz, Ron é considerado um dos responsáveis pela transição do grafite como subcultura, para os murais decorativos e narrativos produzidos atualmente. Inspirou-se, entre outros, em Andy Warhol e Picasso, e é referência para grandes nomes da atualidade, como Banksy e Shepard Fairey.

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Arte, política e resistência. Em clima de ressaca eleitoral fui seduzida pelo tema.

Shepard Fairey ficou famoso por desenvolver uma arte de guerrilha, ao vandalizar um outdoor do prefeito de Providence, capital de Rhode Island, criando a famosa campanha “Obedeça ao Gigante”, que buscava despertar as pessoas para questionamentos sobre o entorno, empastelado por propaganda. Uma arte política com forte apelo visual, que utiliza stencil, elementos de grafismo e pop arte.
Seus posters fazem, com ironia, uma releitura da propaganda totalitária russa.

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Uma coisa puxa a outra e me lembrei de uma ótima exposição que tive oportunidade de ver no Centro Cultural do Banco do Brasil em 2009, chamada Virada Russa.

A exposição buscava traçar a genealogia da vanguarda russa das duas primeiras décadas do século 20 até o realismo socialista. Obras de Marc Chagall, Vassili Kandinski, Kazimir Maliévitch, que expressam a efervescência artística e cultural dos anos anteriores ao Outubro Vermelho. “ As peças pertencem a um contexto de profunda transformação e de questionamento do tradicionalismo” contextualizou um dos curadores, Rodolfo Athayde.

Vanguarda -malevich

Vanguarda - chagall

Esse turbilhão de novidades foi bruscamente interrompido e perseguido pela Revolução Russa. A arte antes tão vanguardista e verdadeiramente revolucionária, agora era obrigatoriamente panfletária.

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Na contra-mão da arte a serviço do poder instituído, afirmando seu espírito independente, crítico e sobretudo provocador, o grafiteiro britânico Banksy, combina humor negro e grafite de maneira satírica e subversiva. Suas obras são carregadas de conteúdo social, expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder.

Recentement, a internet foi tomada por notícias de que Banksy teria sido detido pela polícia de Londres, sem direito a fiança, sob acusações de vandalismo, conspiração, extorsão e falsificação e, como consequência, sua identidade revelada. A história foi lida por quase 5 milhões de pessoas no Twitter e Facebook e compartilhada outras 3 milhões de vezes, mas a notícia era falsa.

Enquanto isso, o verdadeiro Banksy completava em Bristol mais um trabalho mural, uma paródia do famoso quadro “Moça com brinco de pérola” de Johannes Vermeer, utilizando como “brinco” uma caixa de alarme, instalada na parede. Inteligência e senso de humor.

Banksy-moça com brinco

Como sempre faço para meus artigos, comecei a buscar imagens ilustrativas e acabei descobrindo o site Banksy.co.uk. Após salvar diversas imagens de seus trabalhos fechei o “browser” e tive uma grande surpresa, meu computador havia sido hackeado! Sim, a tela de fundo de minha área de trabalho havia sido substituída por uma obra de Banksy, sem minha autorização! Uma imagem fantástica de um funcionário com lava jato limpando uma parede pichada…só que, a parede parece ser de uma caverna com pinturas pré-históricas.

Banksy computador hacjkeado

Pichação virtual. Muito inteligente e provocador.

Ok Banksy, você venceu! Resolvi deixar a sua obra como pano de fundo do meu notebook.

SONIA

Sonia Gil, www.soniagil.com.br
Arquiteta e artista plástica.
Cidades são sua inspiração. Cria com sua paleta digital, cidades inventadas, desenhadas sobre cidades reais, fontes inesgotáveis de força e beleza.

É co-fundadora do coletivo internacional de arte Urban Dialogues




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