BUSCANDO SENTIDO – MIRA SCHENDEL

Antes de tudo, uma explicação.
Acordei na segunda-feira com um sonho na cabeça.
Nele, estava conversando com um amigo quando uma outra amiga se aproximava.
Ela me entregava um pequeno papel dobrado e falava: – ‘Ela me disse para você publicar isso”.
Ao abrir o papel, lia-se Mira Schendel.

Na verdade, pouco conheço da obra da artista, a não ser seu nome e alguns esparsos trabalhos.
Pedi então ajuda a Sonia Gil, minha amiga, colunista do blog, artista plástica e estudiosa do assunto arte.
E ela trouxe um texto que uniu o sonho ao trabalho de Mira Schendel.
O texto e o trabalho da artista me encantaram e me fizeram pensar que o universo estava dizendo: conheça mais, aprenda mais.
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Buscando sentido – por Sonia Gil

Essa semana Claudia Marandino me contou que teve um sonho, no qual recebia um pedaço de papel dobrado e ao abrir se deparava com o nome Mira Schendel e me consultou sobre a possibilidade de escrever um texto sobre ela.
Nas minhas pesquisas, encontrei um livro chamado “Mira Schendel: do espiritual a corporeidade”, de Souza Dias, escrito com base nas reflexões filosóficas pesquisadas em diários, cadernos e cartas da artista. São discutidas as visões de Mira sobre arte, teologia, filosofia e cultura e suas relações com o I Ching e o pensamento de Jung.
Pronto, havia achado o elo para o meu artigo, escrito a partir de um sonho. Mira Schendel dizia ter fascinação por sonhos e suas mensagens enigmáticas e simbólicas.
E é esse mistério, esse vazio que tanto é origem quanto fim, que a artista buscou explorar como matéria do seu trabalho. Buscou evidenciar o vazio e tornar visível o silêncio.
“Ser deste mundo. E não ser deste mundo.”, como ela descreve em um de seus diários.

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Artista suíça, naturalizada brasileira, Mira Schendel ao lado de seus contemporâneos Lygia Clark e Helio Oiticica, reinventou a linguagem do Modernismo Europeu no Brasil.Na década de 1960 Mira produziu desenhos com a técnica monotipia em papel de arroz.
A monotipia difere de outras técnicas de gravura por permitir uma obra singular. Próxima do desenho e da pintura, ela se caracteriza por uma execução de grande espontaneidade e rapidez. Schendel, muitas vezes, serviu-se de sua unha para riscar os desenhos.

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Aos poucos Mira abandona o símbolo em sua posição comunicadora e o insere no silêncio de sua obra. Letras que antes formavam ideias soltas pela área de folha de papel de arroz, migram de um canto do retângulo para o outro, segregadas, ou ainda, se empilham todas em pequenos grupos difusos no espaço da folha.

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Este processo acaba tomando corpo, gradativamente, em todos os seus trabalhos. Os símbolos e sinais na produção de Schendel, em seus diversos desdobramentos, conduzem à novas séries de trabalhos, os Objetos Gráficos, os objetos torcidos feitos em papel de arroz, chamados Droguinhas e a série de doze trabalhos chamada Sarrafos, realizada em 1987, pouco antes de sua morte.

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Seus trabalhos tratam da experiência de um “eu” no mundo. Esta é a metáfora da condição que a artista assume, ao mesmo tempo em que levanta a questão sobre a mediação de um princípio divino. “É esta a minha obra; a tentativa de imortalizar o fugaz e dar sentido ao efêmero.”

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Sonia Gil, www.soniagil.com.br Arquiteta e artista plástica.

Cidades são sua inspiração.
Cria com sua paleta digital, cidades inventadas, desenhadas sobre cidades reais,
fontes inesgotáveis de força e beleza.

É co-fundadora do coletivo internacional de arte Urban Dialogues

PS: E, curiosamente, ela nasceu em 7 de junho  e faleceu em 24 de julho. Estamos entre as datas. Fica então a homenagem.

E para quem quiser saber mais:
http://www.alfredo-braga.pro.br/ensaios/mira.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mira_Schendel
http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11116/Mira-Schendel-do-espiritual-%C3%A0-corporeidade.aspx

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