MERGULHO DIGITAL NO PASSADO DO RIO DE JANEIRO

Um projeto de mapeamento da Rice University pretende ilustrar a “evolução social e urbana” da cidade desde o seu nascimento.

O Rio de Janeiro é “uma cidade de múltiplas e contraditórias camadas, ao mesmo tempo exposta e oculta pela sua beleza e topografia complexa”, escreve Sandra Jovchelovitch, professora da London School of Economics and Political Science. Ela quer dizer que, de um lado, essa densa cidade brasileira apresenta alguns dos mais icônicos monumentos e arquitetura do mundo – é a cidade maravilhosa. Por outro, é lar para um mar de favelas, repletas de pobreza e iniquidade, visíveis evidências das suas agudas desigualdades.

Mas com ela se tornou assim? Isso é o que o novo projeto de mapeamento da Rice University pretende ilustrar. “A plataforma imagineRio é um atlas pesquisável que ilustra a evolução social e urbana do Rio de Janeiro ao longo de toda a história da cidade, como existia e como muitas vezes era imaginado”, diz a descrição do projeto.

O mapa principal é colocado sobre uma linha do tempo que vai de 1500 a 2016, e incorpora projetos urbanos, planejamento da cidade, esboços arquitetônicos da cidade e seus vários componentes que foram criados ao longo do caminho. Abaixo, está uma imagem da cidade coberta com uma planta de 1869:

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E aqui está uma de 1923. Clicando em qualquer área, o mapa mostra mais detalhes:

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Os criadores também acrescentaram imagens que artistas visitantes fizeram da cidade. “Toda imagem que pudemos geolocalizar, nós geolocalizamos”, Alida Metcalf, chefe do departamento de história e uma das forças por trás da plataforma, disse a um blog de notícias da Rice University em 2015. “Uma vez que você geolocaliza uma imagem, você clica no mapa e vê o que o artista viu – como uma viagem no tempo.”

A história urbana do Rio é particularmente adequada para este tipo de tratamento digital, de acordo com os criadores do imagineRio:

“Para transformar o Rio no que é hoje, montanhas foram niveladas, pântanos drenados, orlas redesenhadas, linhas de cumes alteradas, ilhas ligadas ao continente, enquanto a adjacente Floresta da Tijuca foi primeiramente derrubada para plantio de café e extração de carvão para só depois ser replantada para proteger os recursos hídricos da cidade. Tanta mudança física e social, com todas as suas consequências políticas, se presta a ser espacialmente

contextualizada em uma plataforma digital que mapeia e ilustra a transformação ao longo do tempo.”

A plataforma é um jeito bem legal para historiadores, estudiosos de literatura, cartógrafos, arquitetos, urbanistas, turistas e até mesmo moradores explorarem o Rio no contexto da sua rica e complexa história urbana.
Faça uma viagem no tempo aqui.

Extraído de CityLab

Tradução de Camila Marandino

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