HOJE




Poderia hoje continuar publicando assuntos relativos a decoração, arquitetura e design, como sempre faço.
Mas vendo minhas filhas saírem de casa de manhã, para a faculdade e o trabalho levando vidrinhos com vinagre e proteções para participar da manifestação, resolvi compartilhar meu aperto no peito.
Aperto de ver que elas estão participando, são pessoas com opiniões, que entendem o que esta acontecendo e se sentem movidas a sair da casa segura e confortável e comparecerem.
Aperto no peito como mãe, com vontade de dizer: fiquem quietas em casa, meninas!
Ou deixem que eu vou junto com vocês, para ficarmos de mãos dadas, para que nada de mal possa acontecer.
Mas a minha mão dada não adianta nessa situação. E ficar em casa também não.
Nasci durante a ditadura militar e minha família nunca se envolveu com o ativismo político.
No entanto, desde que comecei minha vida profissional, já fiz orçamentos contando com a sempre crescente inflação, passei por plano cruzado, cruzeiro, bresser, acordei com o dinheiro todo confiscado, e já não sei nem mais em que ordem.
Não sei mais quantas vezes os zeros foram cortados até chegar no real.
E esse “acostumar” com tudo acaba sendo muito danoso para a sociedade como um todo.
Fui ao Comício Diretas Já com meu ex-marido e, na época, fui morrendo de medo.
Fui porque ele insistiu, disse que tínhamos que ir, que era um momento histórico.
Hoje, quando vejo as fotos daquela multidão, penso que eu também estava lá e quanta coisa  mudou no país depois disso. Agradeço a ele por ter insistido.
Quando vejo minhas lindinhas saindo de manhã, penso que realmente, talvez seja o início do fim desse “acostumar” nocivo.
Que ninguém aguenta mais trabalhar tanto, enfrentar engarrafamentos loucos e transportes públicos péssimos, ter que pagar tantos impostos, planos de saúde, seguros para simplesmente conseguir algum mínimo que deveria ser fornecido com o que pagamos.
E principalmente assistir a cegueira dos governantes, que vivem em outra esfera, fora do mundo real, onde pensam que nada os pode atingir.
Não sou pessoa politizada nem gabaritada a falar sobre assuntos políticos e econômicos, mas ao ver que um filho seu não foge à luta, num misto de muito medo, mas também orgulho, peço que a polícia se sinta também cidadã e parte de um todo.
Que lembrem que um filho deles também pode estar lá, se manifestando pacificamente.
Que se a polícia sabe como agir em manifestações públicas como Carnaval e Ano Novo, sabe ser eficiente também num evento político.
Sabe diferenciar quem está fazendo baderna e quem esta apenas participando do evento.
Precisamos nos acostumar que, nas manifestações, vai ter gente que vai falar mal da Copa, quando já não adianta mais nada.
Ou que acha que violência pode ser justificada de alguma forma.
Que o que era só sobre passagens está ganhando corpo e consistência.
Quem reclama da falta de foco, publique então qual o foco da sua indignação.
Participe também.
Precisamos muito aprender a discutir, debater e também a tomar posições. E decisões.
Porque no final, um país melhor, qualquer melhoria e evolução efetuada em paz, vai se reverter em benefício do todo.
E estamos precisando muito de um país mais honesto e justo.

PS: E como pequeniníssimo meio de comunicação que sou, manifesto minha opinião também, embora praticamente irrelevante, porque é graças a essa comunicação “por fora” dos meios  tradicionais, diretamente, que o mundo esta se transformando.
Formiguinhas podem construir um enorme formigueiro.

Bjsbjs
Claudia

E vale a pena ler o texto de Eliane Brum. Esse sim, muito bom! (Via Camila Marandino)
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/06/quanto-valem-20-centavos.html

E esse do El País, também está ótimo. (Via Bernardo Barbosa)
http://internacional.elpais.com/internacional/2013/06/17/actualidad/1371432413_199966.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




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