ALTA COSTURA OU PRÊT-À-PORTER?




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Pensando em arquitetura, podemos fazer um paralelo bem interessante com a moda.
O prêt-à-porter matou a alta costura?
Uma coisa impede a outra?

A construção de grandes condomínios, com serviços, piscinas, só que com apartamentos de dois quartos, é uma arquitetura “menor”?
Projetar residências personalizadas, unifamiliares, com alta qualidade faz com que o arquiteto pertença a uma categoria “superior”?
A decoração de interiores só é válida e bem feita se for executada de forma individual e exclusivíssima?
Eu mesma me faço essas perguntas e confesso que, ao colocar o projeto online com mais destaque, como um produto viável e preço exposto, fiquei com muitas dúvidas.

Principalmente com relação aos meus colegas arquitetos.
Talvez eles sejam os maiores críticos desta forma de trabalho.
Humm, mas pense bem, será que não há espaço para todos?

Grandes criadores de moda, eles mesmos não criam linhas de produtos que vão desde a alta costura até os perfumes, comprados nas lojas de departamentos em 10 parcelas sem juros?

Por que nós, arquitetos, designers, criadores, não podemos criar bons produtos/projetos em escala mais rápida e a preços menores? A qualidade é perdida por isso?
Em parte sim. É claro que não é um projeto com detalhamentos de marcenaria e maiores complexidades.
Mas a qualidade da criação, do projeto em si, não se perde necessariamente.
Aliás, é bem difícil projetar bem com diversas limitações de preço e uso de materiais.
São parâmetros de projeto diferentes, só isso.
Da mesma forma, seguindo a comparação com a moda, uma bolsa produzida pela Louis Vuitton tem detalhes, materiais e acabamentos diferentes e de qualidade superior.
Mas existem outras bolsas, de outras marcas, bem produzidas, de um bom fabricante. É claro!
E na minha opinião, é bem melhor comprar uma bolsa de qualidade, dentro do meu bolso, do que uma Louis Vuitton falsificada nos camelôs da vida.

Vai existir sempre o cliente exclusivo, que compra a alta costura.
Só que existe sim, no mundo todo, uma demanda de decoração, de arquitetura, de melhorar o ambiente em que se habita de uma forma acessível, mais próxima do  “prêt-à-porter”.
A cultura, o conhecimento, o gosto e o prazer pela beleza nem sempre acompanham o tamanho do bolso do cliente. Ainda mais em tempos rapidíssimos, em que a informação percorre o mundo numa velocidade louca.
E olha só, ainda digo mais.
O espaço de  “fast fashion” em arquitetura e decoração já está ocupado.
É o que a maioria das grandes lojas faz, colocando arquitetos de plantão e arquitetos-vendedores para auxiliar aos compradores na hora da escolha.
Esta venda se compara a das grandes lojas de departamentos. Já existe e pronto.

Então, porque não nós, arquitetos e designers de interiores habilitados, prestarmos este serviço mais rápido, online, com qualidade?
Ou mesmo diretamente com o cliente, como sempre fizemos, mas de uma forma mais ágil?
Se, por exemplo, você só compra suas roupas em grifes classe AA? Ótimo!
Se o seu projeto é exclusivo, único, alta costura? Ótimo também!
Só que existe todo um público inteligente, antenado e “esperto”, como diz um amigo, que sabe o que quer e que gosta de ter uma vida criativa. E essa vida tem que ser possível e viável economicamente.

Ele pode querer um projeto em que só tenha uma única cadeira de design que ele ama ou um tapete oriental de seus sonhos. Ou um quadro, ou menos ainda.
E por isso ele deve ser considerado como “não existente”?
Pois bem, eu adoro esse público! E é ele que eu quero.

P.S.:
E podem perguntar:
– Quem é essa Claudia Marandino como arquiteta?
Ela nunca apareceu em uma revista ou exposição!
Em nenhum “MorarComMaisCor”.

Pois bem, passei boa parte da minha vida profissional projetando pequenos prédios e acompanhando a legalização destes na prefeitura.
Trabalhei também muito tempo, ligada a uma marcenaria da minha família, fazendo projetos de decoração residenciais bem bacanas.
Como já disse em outro texto, minha família é basicamente toda ligada à construção civil.
Paralelamente, tive uma loja de objetos de decoração por algum tempo.
Trabalhei sempre associada a meu ex-marido e quando minhas filhas nasceram, passei para um esquema home-office. E assim fui, até que cada uma seguisse seu próprio rumo.

Nos últimos dois anos, minha vida pessoal mudou completamente.
Resolvi  então aproveitar essa liberdade, que aliás jamais havia tido antes, e seguir a minha vontade.
E aqui estou.
Minha vida de arquiteta é concreta e real. Bem parecida com a dos meus clientes e público.
Quanto a revistas, amo tanto as existentes que criei a minha – é o blog As Arquitetas.
Meu currículo esta aí, publicado, para quem quiser ver. Com foto e tudo.
Sei que alguns colegas não me conhecem, mas um dia a gente se vê por aí.
Quem me conhece sabe que sou  super simpática e adoro novas pessoas em minha vida!

Bjsbjs, queridos.

Claudia Marandino

 

 

Claudia Marandino

 

 

 




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